privada aberta

14.9.07

Minha tia

O irmão de meu pai, tio Felipe, sempre foi um cara engraçado, principalmente na minha infância. Seguidamente eu ia passar uns dias na casa dele pra brincar com meu primo Pedro, dois anos mais novo, e vice-versa. Passávamos tardes inteiras jogando bola, burquinha ou caçando cigarras e gafanhotos. Às vezes íamos ao porão da casa de tio Felipe para mexer nas tralhas dele, e aí ele ficava bravo, mas só um pouco. Tio Felipe era casado com tia Beatriz.

O que falar de tia Beatriz! Um amor de pessoa, sempre tratou a mim muito bem, como se fosse um filho mesmo. Cozinheira de mão cheia, nunca faltava comida boa na sua casa, . Tinha uma fala mansa e tranqüila, que contrastava com seu porte lânguido e sensual. Mas creio que, pelo menos naquela época, era involuntária essa volúpia. Não precisava forçar a sensualidade. Era uma característica inerente a ela.

Quem lê isso agora deve pensar que eu era um pervertido sexual com apenas 10 anos. Na época eu nem imaginava nada disso. Só comecei a perceber tia Bea com outros olhos lá pelos meus 13 anos, creio, quando estávamos na casa de um parente, numa daquelas festas em que a família inteira se encontra, e fui ao banheiro. Abri a porta e lá estava tia Bea sentada, fazendo suas necessidades e levantou-se de susto, havia esquecido de trancar a porta, tentou tapar-se e acabou por mostrar mais ainda. Fiquei alguns segundos estático, olhando, pedi desculpas, vermelho como sempre facilmente fico, e fechei a porta. Fiquei sem olhar direito pra tia Bea o resto do dia, com vergonha, como se ela é que me tivesse visto nu. Talvez por perceber minha inibição, ela tratou-me muito bem depois disto, como que para dizer que não foi nada, foi só um susto, já passou.

Mas não havia passado. Ver tia Bea sentada prosaicamente, como provavelmente eu nunca vira uma mulher antes, com suas partes à mostra, aguçou um sentido que começava a se delinear em minhas cabeças de pré-adolescente: a libido. Pois já não era mais tia Bea, uma parente qualquer de uma família perfeita, aquele adulto que, como todos adultos, estão acima das crianças e ordenam e protegem, e nunca têm medo. O embuste havia de certa forma se desfeito. Era uma fêmea, e eu, ainda que muito longe de poder fazer algo a respeito, era um macho. A partir daí, comecei a sentir atração por tia Bea.

Quase todos os anos íamos em caravana para a praia, e ver tia Bea de biquini era um deleite. Creio que tio Felipe deve ter me flagrado algumas vezes olhando ela ir e vir, mais indo do que vindo, fixamente para sua bunda. Mas nunca disse nada, deve ter pensado que era fase de adolescente. Tia Bea era bonita. Já estava chegando aos quarenta, mas dentro de seu contexto, dona-de-casa, e ainda por cima comparando com algumas outras espécimes dessa mesma fauna, estava muito em forma.

Somente há alguns anos, depois que eles se mudaram pra Curitiba, descobri que meu tio começou a namorá-la quando ela era rainha de algum concurso de beleza. O que bastou para jactar-me a mim mesmo - sim, tenho um bom faro pra essas coisas. Algumas vezes sonhei com tia Bea. O sonho que me é mais nítido ocorreu logo depois que eu soube de sua separação. Rolávamos pela areia, nossa tão conhecida.

Nunca tive coragem de falar com tia Bea, óbvio. Apesar de eu não reprimir meu desejo e minhas fantasias com ela, alguma coisa plantada no fundo do meu âmago me impedia de romper todas essas hipocrisias sociais e familiares que execram um ex-sobrinho que come a sua ex-tia, muito embora nem mesmo o sangue temos em comum. Hoje tia Bea deve estar perto dos 50 anos, se lá já não chegou. Há algum tempo que não tenho notícias dela, mas ainda vejo em minha frente suas belas nádegas delineadas pelo seu biquini, languidamente chacoalhando ante meus olhos.

Que saudade de tia Bea!


2.9.07

The child has grown, the dream is over

Há uma mulher que trabalha comigo que me faz sentir um desejo inexplicável. E se você que lê isso agora a visse, também acharia inexplicável. E não é de agora. Percebi desde que comecei a trabalhar ali, há quatro anos. Ela tinha um quê, alguma coisa que não acho. Invisível.

Constatações: mulher em torno dos quarenta e poucos anos, separada, filha pré-adolescente, cabelo curto, rosto marcado pelas cicatrizes de espinhas de sua já um pouco distante adolescência. Era magra no início, mas deu uma engordadinha nos últimos meses. A lateral dos olhos levemente inclinados. Nada de especial. Ainda mais se formos ver a minha faixa etária, duas décadas abaixo, nem um pouco atrativa.

Mas sabe lá por quê eu a olhava, sempre. E às vezes ela olhava de volta, não sei se com os mesmos interesses em vista. Mas, apesar de meus quatro anos na empresa, nunca havia mantido muita conversação com ela. Ultimamente temos até conversado razoavelmente, e descobri uma inteligência e uma perspicácia incomuns. Veloz no pensamento, certeira nas palavras. Ácida. Sarcástica.

Já sonhei com ela algumas vezes, fato que seguidamente acontece com as mulheres que sinto algum tipo de atração. Mas sem chances de um dia efetivamente dar em cima dela. Primeiro, por experiência própria já descubri que ficar com colegas de trabalho não é muito interessante para o ambiente, nem para a saúde. A minha, sejamos claros.

Na verdade não faço a menor idéia porque estou relatando isso, sabendo que um dia ela poderá ler, embora eu não divulgue muito isso que por definição chamamos de blog. Ou talvez eu esteja relatando esperando que ela leia mesmo. Porque só encontrei duas maneiras até agora que poderão ser utilizada para chegarmos às vias de fato: ou ela vem pro meu lado, ou eu muito bêbado em alguma festa da empresa chame ela num canto e faça coisas obviamente idiotas. Descartando absolutamente a opção dois, por incoveniente e nada saudável (sempre a saúde!) para minha imagem na empresa, sobra apensa a única e improvável chance, que ela venha até a mim, como a montanha foi a Maomé.

Doce ilusão. Mas que ela me dá um certo tesão, é inegável. Só me resta os sonhos. Como sempre.