privada aberta

13.8.07

A dream within a dream

Foi um sonho estranho.

Estávamos como sempre no apartamento dela, sozinhos, levemente embriagados de vinho, como tantas e tantas vezes havíamos feito, fato que tornava o sonho mais verossímil.

Em sua cama, nos abraçávamos, nos lambíamos, e eu sentia tudo, seus seios, suas coxas roçando em mim, seu longo cabelo, até o perfume - que dizem que não sentimos em sonhos - era tão ou mais real do que se de fato existisse. Eu a sentia - como sempre meus sonhos eróticos são repletos de experiências sensoriais talvez até mais intensas, pois corriqueiramente tenho a consciência de estar sonhando e vou aos poucos prestando atenção nos gestos que faço, nos beijos, no roçar de pele, na penetração, muito embora seja obviamente o êxtase e todo o processo em si inferior à experiência real porque (ora, porquê!) é exatamente REAL - mas eu a sentia muito mais que normalmente nos meus sonhos. E tudo ocorria com os mesmos gestos, as pequenas repetições que involuntariamente reproduzíamos a cada cópula e dessa forma, com o passar dos meses, criávamos uma identidade - a nossa identidade amorosa.

Cada movimento do quadril que ela fazia era o mesmo que eu havia sentido há sete semanas, quando pela última vez nos amamos. E ela fez como fazia freqüentemente, para me deixar louco: deu-me um longo e apaixonado beijo, úmido, perfeito e disse em meu ouvido, num sussurro no qual era possível sentir seus lábios encostando levemente, a voz quente dizendo "eu já volto" e saiu nua para a sala. Como sempre, eu esperava, pois ela voltava ensandecida e era como se estivéssemos no Olimpo - imagino eu - ou os deuses gregos estivessem na Terra - imaginam eles. Mas esperei um certo tempo, excitadíssimo, pensando no que ela iria aprontar desta vez.

Esperei e nada. Chamei-a pelo nome. Silêncio. Sem razões claras, havia sumido.

E desde então ela nunca mais voltou.

9.8.07

Os trouxas se fodem

E demorei pra deixar de ser um. 20 e...alguns anos. Gradativamente, a partir dos vinte, comecei a melhorar, mas a linha divisória aconteceu o ano passado, exatamente no início do mês de agosto. E ontem aconteceu a contraprova. Resultado positivo, passei no teste.

Por quê? Não sei, talvez porque simplesmente ontem, após um ano sem trocar um email sequer com a pessoa que amei desde 2001 - conseqüência de uma briga que não preciso entrar em detalhes - ontem reencontrei-a e, apesar de uma leve taquicardia - inevitável - fui o mais seco e informal possível. Claro, sem deixar em evidência o que ela perdeu, ressaltando o meu lado mais interessante, e o melhor, ao contrário de todas as outras vezes que saía com essa garota, não senti remorso de nenhuma atitude minha, nem ao menos remorso de não ter tomado qualquer atitude diferente das que tomei. Isso é um êxito louvável, já diria Francineide.

Restringi minhas opiniões ao que era necessário, evitei comentários sarcásticos/maldosos. O único conselho que dei, afinal ninguém é de ferro, não foi nem será ouvido, o que dá na mesma. E só reforça o meu acerto. Chega a ser até ridículo, hoje em dia podemos chamar de Kitsch, mas nessa hora é preciso relembrar o desafortunado Chapolim Colorado “meus movimentos são friamente calculados”. É necessário certo desapego de emoções, um distanciamento científico, algo do gênero. Cortar as emoções e planejar os atos e cada um de meus passos. Ainda mais em guerras como essa que acabo de contar. Se ela vai fazer uma coisa que é idiota, deixe. Você não tem mais nada a ver com ela, Mr. Bullinger. Se as opiniões dela são ridículas, e você sente vergonha por ela na frente dos outros, deixe. Não é necessário defendê-la. Se ela quer começar uma discussão com você com argumentos primários que você aniquilaria em duas frases, não gaste sua energia com isso. Poupe-a para discutir com quem mantém uma discussão minimamente razoável, que você possa tirar proveito para sua vida.

Quem merece seu desprezo, Mr. Bull, não deve ser poupado. Afinal, só você sabe o que passou com ela em todos esses anos.

Seja como ontem: sem dó.

3.8.07

E relendo hoje esse meu velho e esquálido blog, percebo quanta merda e inutilidade escrevi. Mas, ao contrário de meus antigos blogs, nesse quero manter até as porcarias que escrevo, como esta introdução fétida aí em cima. É bom para minha autocrítica. Cada vez que leio me faz pensar mais antes de escrever. Tentarei ser mais assíduo nesta joça