privada aberta

31.10.04

ontem fui à uma festa de drogados. é interessante perceber e tentar entender como pensa a cabeça de um ser que usa esse tipo de artifício. havia várias pessoas, a maioria com um viasual, digamos, "rebelde", e a maioria também com nada na cabeça.

conversar com um ser desses é uma experiência inigualável. ainda mais se vc pegar pela frente alguém revoltado mesmo com tudo, mas sem nenhuma razão específica. aí você pergunta a ele porque ele é revoltado e ele responde "eu quero que todo mundo se foda!" ou "é tudo um bando de idiota", entre outras preciosidades da atual intelectualidade.

há mulheres lindas, óbvio, e drogadas. a única utilidade delas nesse tipo de festa é ficar chapada pros outros comerem mais tarde. há os intelectualóides, que falam frases contra o sistema (eu também odeio o sistema operacional do meu computador...), camisas do Che e tênis all-star vermelho, pra combinar. a música é techno ou rock "alternativo", hoje chamado de indie rock, sabe-se lá porque.

há lésbicas que se orgulham de se drogar e cair bêbadas na calçada com garrafas de conhaque na mão, contando histórias mirabolantes para a estupefação de alguns ouvintes. normalmente são mais macho que muitos homens, tem uma voz grave e um jeito forçado masculino no andar, o que as torna mais ridículas ainda.

há, principalmente, estudantes de comunicação, que em alguma parte da noite se juntam pra fumar um beck, ou uns becks. há sempre uma variedade grande de bebidas, da cerveja à vodka, passando pelo vinho, whisky, conhaque e outras misturas. há sempre alguém vomitando em algum canto, alguém mijando em algum canto e alguém agarrando alguém em algum canto.

parece que essas pessoas se sentem felizes em não serem nada na vida. ocas por dentro. talvez por isso não morram, a droga entra no corpo mas nem tem o que estragar.

algumas mulheres são malucas, suicidas. depressivas. há viados drogados. há de tudo. a maioria é estudante (colegial, universitário). os que não são, são desocupados, sobrevivem com o dinheiro dado pelos pais, e com ele se drogam.

a grande maioria é idiota. a grande maioria não pensa em nada a não ser no preço da droga, quando poderá consumi-la, em bebida e em sexo.

são idiotas, mas são felizes.

coitados de nós, os inteligentes, que vivemos em uma grande e infindável tristeza.

viva o LSD

1.10.04